O que é fotografia documental e como começar o seu projeto

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Paloma Gomide
  Por Paloma Gomide
O que é fotografia documental e como começar o seu projeto www.lightroombrasil.com.br

Relatos visuais de lugares incríveis, denúncias sociais e grandes projetos fotográficos são características da fotografia documental.

Desde o início desta vertente fotográfica, os fotógrafos documentaristas buscam mostrar o seu assunto através de uma espécie de narrativa visual, no qual a reflexão contida em seu trabalho possa ser expressa através das imagens. A fotógrafa Dorothea Lange (EUA, 1985-1965), é um bom exemplo; durante a década de 1930, a fotógrafa trabalhou documentando a miséria de famílias rurais e imigrantes nos Estados Unidos, ajudando a não deixar estes temas “escondidos” da população e contribuindo para que o governo tomasse também providências em relação ao assunto.

Apesar de muitos trabalhos da área se mostrarem como bons instrumentos de divulgação de causas sociais e de sensibilização das pessoas, é preciso não esquecer, que apesar de não aparentar à primeira vista, as fotografias documentais (assim como todas as de outras vertentes) são um tanto subjetivas. Ou seja, são recortes da visão do fotógrafo que está vivendo aquele momento de imersão em seu tema.

O que, aliás, é um fator fundamental para este tipo de trabalho: o envolvimento do profissional com o seu tema escolhido. O fotógrafo ao desenvolver o seu projeto documental desenvolve uma intimidade com o seu tema, pois normalmente são trabalhos que demandam mais tempo e aí está a diferença com o fotojornalismo. Sebastião Salgado é um dos fotógrafos que apresenta essas características; seus trabalhos acerca de um tema, costumam levar anos para serem concluídos. Um de seus últimos trabalhos “Genesis” foi construído durante 8 anos, nos quais o fotógrafo percorreu o mundo através de pessoas e lugares que pertencessem à motivação que o levou a compor esta série.

Fotografia Documental x Fotojornalismo

No fotojornalismo, gênero bastante confundido com o documental, já que ambos se entrelaçam em alguns sentidos, a fotografia tem uma função mais imediata: a de informar, contextualizar e contar, em muitas vezes, em um único fotograma uma história. O fotojornalista normalmente não tem a contemplação ou a vivência necessária para construir um trabalho documental consistente. Já que usualmente, este profissional trabalha por meio de pautas mais rápidas. Existem também muitos casos de fotojornalistas que se identificam com as pautas que cobriram e voltam para o lugar ou tema para se aprofundar e desenvolver um trabalho documental mais consistente.

E hoje?

Por poder se tratar de uma ampla variedade de temas, a fotografia documental hoje, já não está associado somente ao viés “realista” e de denúncia,  mas também está muito ligado ao poético, ao artístico e à uma estética que contempla visões distintas de um mesmo assunto.

No Brasil temos fotodocumentaristas como Guy Veloso representando esta nova abordagem. O fotógrafo que tem como tema principal a religiosidade, apresenta muitas imagens poéticas e  não objetivas. As fotografias são misteriosas, e não mostram com clareza o assunto sobre o qual se tratam.

Como começar seu projeto documental

Se você tem vontade de começar um projeto documental, é importante se fazer algumas perguntas de iniciar o trabalho para se obter um resultado mais coeso. O que estou querendo passar com as minhas fotografias? Este trabalho leva o público a algum tipo de reflexão?

Ao responder estas duas perguntas já conseguimos vislumbrar muito do que o trabalho poderá oferecer no futuro e quais os caminhos que o fotógrafo poderá percorrer para tentar cumprir este objetivo.

O próximo passo é se aprofundar no tema. Ler livros de referências, realizar entrevistas, procurar artistas que já trataram do mesmo tema são dicas para que você tenha uma boa base teórica na pré-produção do projeto. Ver tutoriais também pode ajudar, e muito a você desenvolver diferentes técnicas.

Após a execução de seu projeto, este precisa encontrar o seu público. É muito comum que em trabalhos deste tipo, o realizador, além de divulgar em suas redes sociais, sinta a necessidade de montar uma exposição e/ou fazer um livro com as suas fotos para que aquelas imagens encontrem com o maior número de pessoas possíveis. Por se tratar, em muitos dos casos, de trabalhos autorais independentes, os autores recorrem a financiamentos e campanhas coletivas, o que indiretamente ajuda também na divulgação do projeto. Financiamento por meio de prêmios e editais também são uma boa saída para tirar o seu projeto do papel.

É importante salientar também que trabalhos documentais, são uma ótima oportunidade de construir uma sociedade melhor, e por este motivo também é de grande responsabilidade do fotógrafo o modo como irá representar terceiros e qual a contrapartida que o profissional irá oferecer para o seu tema. Por exemplo, se o projeto tratar de comunidades tradicionais, é importante dar um retorno para as pessoas que participaram das fotografias, não obrigatoriamente financeiro a depender do projeto, mas principalmente moral. Recolher também termos de autorização de imagens é importante nestes trabalhos para não gerarem problemas posteriores.

Os temas sociais, a natureza, os direitos humanos e outras culturas encontram uma nova maneira de chegar a outras pessoas e estas de se deixarem serem tocadas por uma linguagem visual.

Aqui você pode ver algumas dicas para manter a ética ao fazer esse tipo de foto, o que é muito importante.

Muita fotografia documental é publicada em jornais e para um jornal é indicado uma boa foto monocromática. Para criar belas imagens em preto e branco você pode usar o nosso workflow Essenciais Para Preto e Branco para conseguir criar lindas imagens preto e branco em apenas alguns cliques.

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As duas guias a seguir alteram o conteúdo abaixo.
Paloma Gomide

Paloma Gomide

Cineasta e fotógrafa, tem como motivação contar boas histórias através de imagens.

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